25 de maio de 2016
ONU alerta sobre ‘escala industrial’ do tráfico de flora e fauna
“O tráfico de espécies é um problema de natureza global, de escala industrial, realizado por organizações criminosas transnacionais”, declarou em Viena John Scanlon, o secretário-geral da CITES
OL PEJETA CONSERVANCY, KENYA, JULY 2011:  A four man anti-poaching team permanently guards Northern White Rhino on Ol Pejeta Conservancy in Kenya, 13 July 2011. The Ol Pejeta Conservancy is an important “not-for-profit” wildlife conservancy in the Laikipia District of Kenya and the largest sanctuary for black rhinos in East Africa. It is also the home of 4 of the world's remaining 8 Northern White Rhino, the worlds most endangered animal. There has been an increase in poaching incidents on Ol Pejeta recently, in line with a massive worldwide increase in rhino poaching linked to the rise in the Asian middle class. Anti-poaching teams provide close protection to the rhino, with 24 hour observation over all rhino on Ol Pejeta and 24 hour armed guard protection over the 4 Northern White Rhino who are kept in their own Boma area. The team have developed extraordinary relationships with these Rhino, leaning on them, scratching them and displaying tremendous affection towards these most endangered of animals. Each of the men in these teams feels a genuine vocation towards the protection of these animals, something the rhino seem to sense, and this emerges on a daily basis as the men walk with the rhino through their day. (Photo by Brent Stirton/Reportage for National Geographic.)

A ONU alertou nesta terça-feira (24) que o tráfico de bens naturais, como o marfim dos elefantes, conduz à extinção de espécies inteiras e adquiriu “uma escala industrial”.

“O tráfico de espécies é um problema de natureza global, de escala industrial, realizado por organizações criminosas transnacionais”, declarou em Viena John Scanlon, o secretário-geral da Convenção sobre o Comércio Internacional de Espécies Ameaçadas de Fauna e Flora Silvestres (CITES).

Scanlon fez essas declarações na apresentação de um relatório sobre o tráfico ilegal de bens naturais, junto ao diretor do Escritório das Nações Unidas contra a Droga e o Crime (UNODC), Yury Fedotov.

Esse relatório indica que em escala global foram realizadas 164 mil apreensões entre 1999 e 2015 em 120 países de materiais como marfim, chifre de rinoceronte e madeiras tropicais, o que mostra que o problema afeta de uma ou outra maneira todo o planeta.

Fedotov ressaltou que este tipo de crime fomenta a corrupção, a instabilidade, a violência e inclusive a insurgência armada em algumas zonas, especialmente da África, onde as capacidades estatais são mais limitadas.

Por isso, uma das mensagens é a de apoiar “os países vulneráveis para que tenham um desenvolvimento sustentável” e, pelo outro lado, atuar para “reduzir a demanda” destes produtos naturais nos países compradores.

No texto não figuram números sobre a quantidade de dinheiro que movimenta este crime, algo que os especialistas da ONU esperam poder incluir em um próximo relatório.

O documento indica, por exemplo, que em 2012 morreram mais de 35,4 mil elefantes na África, em grande parte mortos por caçadores ilegais para utilizar seu marfim, enquanto a população total na África é de 473 mil exemplares.

Scanlon advertiu que populações inteiras de elefantes estão desaparecendo em zonas da África devido à caça ilegal, desenvolvida de forma organizada.

Para lutar contra a demanda destes produtos naturais, os responsáveis da ONU apostaram pela educação e a informação com o objetivo de desmentir supostas propriedades medicinais ou afrodisíacas que são atribuídas a alguns produtos, como o chifre de rinoceronte.

O relatório pede aos governos que adotem medidas legislativas para estabelecer o tráfico de fauna e flora como um delito e um problema sério, além de colaborar com a UNODC na proteção dos espécies ameaçadas.

“Temos que seguir apoiando os países para que lutem contra esta forma de comércio ilegal, que está unido à corrupção e afeta também à estabilidade das comunidades”, concluiu Fedotov.

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